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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Da falsa ideia de perfeição e a precoce desilusão.

“É tanta qualidade que exigem para dar emprego, que não conheço um patrão em condições de ser empregado”...
(Ariano Suassuna)

Essa patada foi escrita por um dos maiores e mais bem-humorados gênios da literatura brasileira. Ariano Suassuna. Nordestino e porreta, vivente em, 1927 desvivo em 2014, eterno para quem o lê. Suassuna viu e ouviu e conviveu com os maiores cantadores lá as terras do Nordeste, sua influencias o fizeram o escritor de peças teatrais da nossa terra, entre elas o famosíssimo auto da compadecida, que sem dúvida é uma das maiores expressões da situação do sertanejo, por fim! Outro dia falo ou escrevo mais sobre ele, hoje limito-me a pensar sobre a frase acima.
Infelizmente vivemos tempos, (ou quem sabe se no passado também foi assim) que exigimos muito mais do que amizade, amor carinho, capacidade e boa vontade. Nós queremos tudo E QUEREMOS TUDO MAIUSCULO, PRONTO E ENTREGUE DE BANDEJA.

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. 
(Martha Medeiros)

A construção de relacionamentos sólidos é cada vez mais prejudicada pelo excesso de falsas possibilidades de satisfação rápida, perfeita e duradoura proporcionada pelas redes sociais. Assim como acreditamos que o crush mais novo (da nossa interminável lista de crushs, onde cada um deles foi um dia o mais novo) é perfeito de imediato, mas o substituiremos infinitamente por outro ou outra que pareça mais gostosa, mais rica, mais inteligente, melhor de cama ou que simplesmente aparente que se entregará de corpo e alma dedicando vida para satisfazer nosso desejos mais egocêntricos, alimentando nosso ego de forma a engorda-lo tanto que nada mais poderá move-lo, muito menos satisfazer a voracidade de seu apetite. Em contrapartida, via de regra oferecemos tão pouco quanto o troco do pão, quando não as migalhas de tudo que não queremos mais.
Embora aparentemente estejamos a viver em um mundo que nos parece nos ofertar opções infinitas, nossos filtros tendem ser formados de tramas tão estreitas que nada passará por ele antes de ser devidamente esmagado e espremido por nossa carência afetiva, dessa forma acabam nascendo relacionamentos de amizade, namoro ou de trabalho assimétricos, onde um sempre está tentando satisfazer o outro, mas em contrapartida estará sempre pressionado a oferecer mais...
Iniciamos relações que estão fadadas ao fracasso, tal que destruímos tudo o que há de melhor em nossas vidas, rejeitando o bom, o belo, independente de quem ofereça, por conta da imposição das mais fantasiosas, tolas, frescas, desnecessárias e estupidas exigências.

Continuamos cotidianamente apegando a modelos e padrões inalcançáveis, que gostaríamos de observar nos outros, de receber de todos, contudo dificilmente exercitamos em nós mesmos. 

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